Como Aprender Kanji

Primeira chave para dominar o Kanji: Significado

O primeiro passo para aprender kanji é reconhecer que os ideogramas carregam um significado por si só independente da leitura.


Para ilustrar melhor, podemos fazer uma analogia com alguns símbolos:


Exemplo:

Aqui temos a imagem que representa uma estrela e é um símbolo universal. Então um americano iria ler como star e um japonês como hoshi.


Independente da leitura e pronúncia, notamos que o significado e conceito não muda.


Outro exemplo:

Temos aqui a imagem que representa veneno ou tóxico. Qualquer estrangeiro que ver isso numa embalagem já vai saber imediatamente do que se trata.


(Em inglês seria poison e em japonês doku.)


Agora, imagine construir um sistema de escrita baseado nesse conceito. Vemos um objeto na natureza e associamos um ideograma:

Agora temos uma representação da árvore que foi idealizada pelos chineses na antiguidade. Um chinês ou japonês quando vêem este símbolo associam mentalmente com a árvore.


Esse conceito de associar algo da natureza com um símbolo se chama pictografia.


Inclusive muitos chamam os Kanjis de pictográficos, até porque os primeiros se baseavam em coisas da própria natureza.


Apesar de que a maioria deles são na verdade ideográficos. Ou seja, são relacionados com coisas abstratas (conceitos, ideias) e não somente com coisas que podemos ver e tocar concretamente.

Como um oriental aplica na prática este conceito?


日本語


Aqui temos uma palavra que se compõe de 3 elementos combinados. Analisando cada ideograma temos:


日 sol

本 origem

語 linguagem


Literalmente significa “linguagem do sol nascente”. E sabemos que o Japão é reconhecido como “terra do sol nascente”.


Portanto, os 3 ideogramas combinados significam língua japonesa e se pronuncia NIHONGO.


日 NI

本 HON

語 GO

Por que dizem que é difícil aprender o Kanji?


A dificuldade do ocidental, na verdade, é a maneira de abordar este conceito de escrita baseada em ideogramas.


Estamos acostumados com nosso sistema de escrita baseado no alfabeto, que nada mais é que um conjunto de 23 letras ou 26 considerando o k,w e y.


Memorizando esses elementos, podemos ler qualquer coisa mesmo não sabendo o significado.


Por exemplo, abrindo um dicionário de português encontramos muitas palavras que não sabemos o que significa, mas conseguimos ler.


Mas por incrível que pareça, um asiático consegue entender o significado dos ideogramas num texto em japonês mesmo não sabendo a leitura!


Ou seja, é totalmente oposto à abordagem de um ocidental. Então surge a questão:

É possível um ocidental aprender primeiro o significado depois a leitura?

Sim, inclusive existem métodos que focam em usar a imaginação para lembrar o significado do Kanji.

Existem técnicas de usar mnemônicos, que nada mais são que histórias e imagens que inventamos para lembrar do significado do Kanji.


Por exemplo:


Aqui podemos imaginar que vamos visitar o cemitério e lá encontramos um túmulo antigo.

E pelo formato do kanji visualizamos uma cruz em cima e embaixo a lápide. E vemos velhas descrições sobre a pessoa que faleceu.


É uma forma de associar o ideograma com as palavras velho e antigo.

Qual o problema desse método de memorização?


O principal “ponto fraco” é justamente a quantidade de ideogramas, que passam de 2.000.

Portanto, teria que ser capaz de criar mais de 2 mil mnemônicos e de um bom sistema de memorização.


Alguns métodos mais digamos “hardcore”, como ao AJATT, usam essa abordagem para acelerar o aprendizado do japonês e do chinês.

Como sempre, fica a cargo do estudante usar essa opção ou não…


De qualquer forma, saber o significado dos ideogramas ajuda bastante na leitura de textos.

Segunda chave para dominar o Kanji: Traçado


O kanji tem uma ordem de traçado para ser escrito. É decisivo para ter uma boa caligrafia, respeitar certas regras ou princípios para escrever.


Anteriormente vimos o ideograma que representa velho e antigo 古.

E aqui vemos que ele é formado por 5 traços e começa lá de cima e da esquerda para direita.


Repare que até o momento sabemos apenas o significado e o traçado. Mas se aparecer uma sentença com esse kanji já conseguimos fazer uma distinção:


僕の趣味はいコインを集めることです。


Temos aqui uma sentença em japonês com destaque no kanji que representa o antigo.


A tradução da sentença é:


Meu hobby é colecionar moedas antigas.


Conforme aprendemos mais kanjis o que era nebuloso começa a ter sentido.


Aqui vimos na prática que mesmo não sabendo ler ou pronunciar a sentença em japonês, podemos extrair alguma informação.

O conceito e uso dos radicais (bushu)

O desafio maior para um iniciante é quando o número de traços do kanji aumenta e vai ficando mais complexo.

Mas se analisarmos mais minuciosamente os traços de um kanji, vamos perceber que existem certos padrões repetitivos.


Notamos também que os mais complexos nada mais são que a junção de outros mais simples.


Como por exemplo: 森


Este kanji nada mais é que a junção de três ideogramas que representam a árvore, que vimos lá no início.


Se eu vejo várias árvores juntas… vejo uma floresta!

Pelo traçado e por imaginar as árvores conseguimos deduzir o significado.


Então podemos dizer que o kanji de árvore é um “radical” que forma a base de outros ideogramas mais complexos associando a ideia de árvore e madeira.


Além de certos kanjis, existem traços mais simples que são componentes visuais sem necessariamente trazer algum significado:


São chamados de Bushu

aqui temos o yokobou traço horizontal

e aqui o tatebou que nada mais é que o traço vertical

Se juntarmos o primeiro com o segundo obtemos o o número dez

Aqui vemos que o traçado não é aleatório, ele tem certos fundamentos…

aqui temos o haraibou (traço inclinado)

Agora, se juntarmos o kanji de dez e este terceiro radical obtemos o

kanji que significa mil

Vimos que é possível também combinar um kanji com um bushu obtendo um novo

agora temos o radical ninben

(lembra o katakana i e é uma simplificação do kanji de pessoa)

Se juntarmos ele com o radical de árvore obtemos:

kanji de descansar (yasumu)

E aqui imagine uma pessoa encostada numa árvore descansando.

E existem uma infinidade de outros radicais:

Nos catálogos existe um classificação e divisão por número de traços. Ou seja, dos mais simples com 1 traço até os mais complexos.

Terceira Chave para Aprender o Kanji: Leitura


A leitura é um assunto complicado até mesmo para os nativos. A razão disso é pelo fato de um kanji poder ter várias leituras dependendo da situação.


Por exemplo, o kanji que representa sol e dia 日:

Tem as leituras: hi, bi, ka, jitsu, nichi

Por que isso acontece?

Relembrando que a origem do kanji foi na China e de lá até os dias de hoje existiu um processo muito longo e intenso de adaptação.

Como o japonês e o chinês são idiomas falados bem diferentes, não foi tão simples a implementação.

Uma forma de contornar a questão foi criar duas formas de leitura:

O Kun-Yomi 訓読み: a leitura que usa a pronúncia japonesa
O
On-Yomi 音読み: a leitura que aproxima da pronúncia chinesa

No caso do exemplo anterior do ideograma que representa sol temos:

Leituras KUN: ひ、び、か (hi, bi, ka)
Leituras ON: ニチ,ジツ (nichi, jitsu)

Inclusive notamos que na leitura KUN está em hiragana e na ON está em katakana para se diferenciar.


Infelizmente não existe uma regra absoluta 100% para deduzir como usar cada leitura. Não é raro até mesmo entre os japoneses perguntarem entre si a leitura para confirmar se é aquilo mesmo que eles imaginam.

Existe alguma forma de contornar essa dificuldade?


Quando a leitura é direcionada para o público infantil ou é uma palavra muito técnica, existe um sistema chamado de FURIGANA.


しゅみ
趣味 (shumi)


Nada mais são do que pequenas anotações em hiragana que facilitam a leitura. Como no exemplo vemos shumi que significa hobby.

Temos uma fonte de tamanho reduzido que fica posicionada próxima do kanji.


Nos mangás shonen (para o público infanto-juvenil) é muito comum esse recurso.

No exemplo aqui temos o Luffy do anime One Piece com seu bordão:

Kaizokuou ni… Ore wa naru!

Mas em documentos e no geral não podemos contar com esse facilitador. Por isso é comum muitos dizerem que sabem o que significa o kanji e não sabem ler.

É um caso muito peculiar do idioma japonês, que torna o aprendizado deste, algo único e desafiador.

Como descobrir a leitura de um kanji aleatório?

Uma forma de descobrir a leitura de um kanji que vemos impresso num livro, por exemplo, é pelo traçado.

No catálogo ou aplicativos de kanji, pelo traçado conseguimos descobrir a leitura e o significado.

Afinal, qual a melhor forma de aprender Kanji?

Poderia simplesmente dizer: usando…

…o que seria um tanto vago e até injusto, então vamos para algumas dicas importantes:

Por exemplo, se você gosta de mangás poderia começar a ler no original e assistir animes com legendas e áudio em japonês.

Ou se você gosta de culinária japonesa, poderia ver o menu e buscar receitas em japonês, etc.

Basicamente criar uma ponte que interligue com coisas do Japão. Dessa forma, naturalmente, o japonês passa a fazer parte do seu cotidiano.

Enfim, os nativos aprendem não somente na escola, mas em grande parte do contato diário e do ambiente onde já estão inseridos.

Em outras palavras...

A melhor forma de aprendizado seria justamente se expor ao japonês da vida real por meio de um assunto que te interesse.

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